quarta-feira, 15 de setembro de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Des-pedaços e remendos de um olhar perdido...
Des-pedaços. Laurem Crossetti. 2010
“Olho para você como se olha para o impossível”.
Roland Barthes
Que sacrilégio incomparável rasgar-se uma fotografia! Que crime hediondo (sempre passional) matar uma imagem e privar nossos desafetos, ou nosso próprio passado, da capacidade de a-sombrar-nos como seus olhares turvos e granulares... Quantas vezes essa despossessão foi orquestrada ao longo da história da fotografia? Há uma certa crueldade na impunidade deste ato... nada, no entanto, nos redime.
A fotografia digital (a celebrada imagem numérica) perdeu essas sutilezas: apagar (deletar) uma imagem e confirmar essa decisão de modo quase intuitivo por meio de uma interface (em um mero aperto de botão já basta) banaliza o ato. A fotografia é hoje essencialmente descartável, seu próprio dispositivo prevê que ela seja constantemente eliminada da memória.
Para a psicanalísta Tania Rivera, a fotografia opera um trauma na visão moderna ao re-velar-nos esse “inconsicente óptico”, como alude Walter Benjamin. A fotografia inaugura na experiência subjetiva da burguesia urbana o direito de ser registrado; o direito de ser visto e lembrado, de encenar, performar, sua própria existência e, de certa forma, realizar-se na imagem de seus próprios fantasmas. Esses vestígios, produzidos de bom grado, alicerçam nossas próprias mitologias de origem. A fotografia prestra-se a sua vocação; é absolutamente pretérita.
Estas são fotografias que se lamentam; convertem-se no registro de um desastroso infortúnio e de uma constatação: “Nunca mais me olhou daquela maneira”[1]. Essa espécie de nostalgia melancólica confunde-se com a demanda por um olhar (por um modo particular de olhar - “daquele jeito”[2]-, como a intensidade de um olhar perdido). Lançamo-nos, então, na busca por esse olhar que, supõe-se, encantador (se por nenhuma outra razão, simplesmente porque o olhar fotográfico é o olhar da sedução).
Mas esse olhar esta desrealizado, como a própria face da outrora jovem noiva. Não o encontramos, aonde quer que o procuremos; ele não comparece. A operação de reconstituí-lo falha. A memória se dá em precariedades, em perdas, em ruínas... A reconstituição é aqui o exercício de uma certa insensatez, uma estratégia rudimentar... há algo de extremamente patético e, portanto, profundamente humano, nesse fracasso. A vida vacila, a memória falha e o olhar esvazia-se... captura-me o “nunca”.
[1] E aqui também o texto nos é dado como fragmento, reconstituído/orquestrado.
[2] Não é esta, afinal, a demanda do fetishista; um glance, o vislumbre, um determinado modo de olhar que o sujeito lança e, mediante o qual, o objeto de seu desejo o captura e o facina?

sábado, 8 de maio de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Breve Notas Sobre A Pintura de Pedro Alvim
Embora as pinturas de Pedro Alvim possuam uma qualidade quase espectral (como se o mundo, por um breve instante, intuísse sua própria inconsistência e eminente desaparição), há algo de áspero nessas imagens. Em frente a suas telas, eu vejo o romper das coisas...
Confira o trabalho de Pedro Alvim em três mostras na cidade:
Brasília, Prazer de Pintar- Galeria Fayga Ostrower, Funarte
Brasília, Síntese das Artes- Centro Cultural Banco do Brasil
Paisagens e Tramoias- Espaço Cultural do Superior Tribunal de Justiça
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Novos artistas na lista Artistas de Brasília e Cercania
Acabamos de adicionar mais dois artistas a lista de Artistas de Brasília e Cercanias: Raquel Pellicano e Alexandre Azevêdo.
domingo, 18 de abril de 2010
domingo, 7 de março de 2010
SUPERFRÁGIL
vista geral da exposição SUPERFRÁGIL
Em comemoração de um ano do Dando Nome aos Bois organizamos uma pequena mostra dos entrevistados do blog. A mostra reuniu a produção em desenho de LHWolf, Allan de Lana, Yana Tamayo, Paulo Faria, Pedro Ivo Verçosa e Clarice Gonçalves na Galeria Objeto Encontrado (102 Norte) no período de 5 de fevereiro a 5 de março de 2010 .
A exposição foi fruto do conjunto de empenho de várias pessoas (amigos, colaboradores e apoiadores da causa) aos quais somos profundamente gratos. Nossos agradecimentos também a todos que acompanharam o blog até agora.
A seguir, algumas imagens da abertura da exposição:

alguns de nossos artistas em momento glamuroso na abertura da expo SUPERFRÁGIL

ALLAN DE LANA


SUPERFRÁGIL
Artistas: Allan de Lana, Clarice Gonçalves, LHWolf, Paulo Faria, Pedro Ivo e Yana Tamayo
Curadoria: Matias Monteiro e Luciana Paiva
Produção: Carolina Barmell, Luciana Ribeiro e Mônica Tachotte
Montagem: João Angelini
Realização: Equipe DNB
Apoio: Tincol Tintas
Plotagens Multiplacas - analuvico@gmail.com
Agradecimentos especiais: Rosane Junqueira (coquetel de abertura) e Maryella Sobrinho.
Fotos: Carolina Barmell e Matias Monteiro
Brasília, 2010.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Ser Possível
Detalhe de painel da cidade de São Paulo, 2008. #carolinabarmell
Atelier d'OSGÊMEOS, São Paulo, 2008. #carolinabarmell
Fachada externa da exposição Vertigem, CCBB Brasília, 2010. #carolinabarmellterça-feira, 12 de janeiro de 2010
UPIS, I did it again! – cobertura da II Bienal de Artes de Brasília
A princípio a proposta da UPIS de ocupar espaços ociosos (no caso, as salas de aula da própria instituição no período de férias), bem como a própria realização de um evento regular dedicado as artes visuais em Brasília, nos parecia bastante oportunos. No entanto, em nossas visitas ao evento, ficamos com a sensação de que nenhuma delas foi efetivada de forma satisfatória.
Em grande parte das salas percebemos tentativas expográficas mal-sucedidas: panos e lonas plásticas tentavam omitir os elementos próprios de uma sala de aula, como as janelas e lousas; banners coloridos dependurados nas salas traziam o currículo dos artistas e poluíam mais ainda o espaço expositivo, chegando, em alguns casos, a competir visualmente com as próprias obras; muitos artistas optaram por recorrer a frases e textos aludindo à temática proposta pela curadoria, de modo a legitimar ou justificar (de forma por vezes forçosa, literal ou mesmo didática) sua presença na mostra. O resultado é uma exposição irregular, com questionáveis soluções de montagem (de fato, permanece a dúvida se essa configurava uma prioridade para a equipe responsável pelo evento), que, por vezes, assemelha-se a uma feira de ciências, uma tendência que nem mesmo a qualidade de alguns trabalhos é capaz de abrandar.
Essa sensação é ainda reforçada por propostas de espetacularização do espaço expositivo realizadas por alguns artistas, que lançam mão de equivocados recursos na ocupação de salas, produzindo uma espécie de cenografias pseudo-contemporâneas e semi-instalações, que resultam em soluções nada convincentes, agregando elementos que pouco acrescentam a suas obras.
Talvez essa apresentação equivocada fosse relevada, não fosse ela tão desproporcional frente à ambição da instituição promotora do evento, que, de acordo com o site oficial, assegura que:
“A Bienal de Artes de Brasília passa a ocupar lugar de destaque no calendário nacional de artes plásticas, junto a importantes eventos como a Bienal de São Paulo, a Mostra Rio Arte Contemporânea, entre outros.”
Essa relevância também é minada frente à divulgação, bastante reduzida para um evento pretensamente dessa magnitude, e cuja programação parece resumir-se à exposição, não havendo um espaço mais amplo destinado à reflexão nem uma difusão das propostas artísticas e dos artistas que integram a mostra.
Na opinião da nossa equipe há um equívoco no discurso apresentado pela Bienal de Artes de Brasília que se propõe a ser um evento de destaque nacional, mas que em sua realização demonstra descuidos e incoerências em relação à produção local e nacional de arte contemporânea.
Veja aqui vídeo do site Cerrado Mix sobre a mostra.
Top 5 Bienal de Brasília pelo DNB
(obs: clique no nome dos artistas para conhecer um pouco mais de seus trabalhos)
1 - Pedro Ivo Verçosa
Pedro Ivo consegue solucionar de forma simples alguns problemas expográficos na mostra. Em uma das paredes quatro telas em grande escala encadeiam-se aludindo a uma narrativa não evidente. Na parede em frente alguns retratos são dispostos em fileiras verticais, juntamente com um de seus trabalhos com recorte vinílico. Pedro Ivo foi beneficiado pelo tom da parede que harmoniza sutilmente com sua palheta de cores.
2 - After School
After School é uma mostra dentro da Bienal que ocupa uma das salas com obras de artistas do grupo G-onze. Entre os artistas estão José Zaragoza, Antônio Cabral, Luiz Áquila, Maciej Babinsky, entre outros nomes importantes da pintura no cenário local e nacional. Embora houvesse uma clara preocupação na distribuição das obras, criando espaços de afinidades e diálogos, infelizmente a mostra foi bastante prejudicada por alguns elementos e recursos expositivos.
3 - Bisser Nai
De origem búlgara, o artista reside há pouco tempo em Brasília. Ocupa uma das salas da Bienal com uma grande série de desenhos e dois de seus manequins pintados apresentados também em exposição individual na Casa Thomas Jefferson em 2008.
4 - Regiane Rocha
Regiane Rocha apresenta uma série instigante de desenhos em pequena escala que mantém uma proximidade com ilustrações de narrativas fantásticas ou fábulas.
5 - André Crespo
O paulista André Crespo é um dos artistas representados pela Art & Art Galeria. Destacamos aqui duas de suas telas expostas com temáticas de cavalos de corrida.
Menções do DNB: Destacamos também os desenhos de Paul Moraes que nos parecem bastante promissores; as instigantes pinturas de Sônia Menno Barreto que se utiliza de um realismo pictórico para criar situações que transitam entre o surreal e o kitsch e ainda a abstração geométrica das pinturas de Milla Nast.
domingo, 27 de dezembro de 2009
Cobertura da 7ª Bienal do MERCOSUL
Enquanto a Bienal de Arte de São Paulo vem enfrentando um período negro em sua história institucional (com diversos escândalos administrativos, desorganização e uma falta de consistência que culminou com a última edição, a infame Bienal do Vazio, e com a audaciosa proposta de Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias de revitalização do evento em sua 29 edição), a Bienal do MERCOSUL vem firmando-se como uma articulação bem sucedida de empreendimento público/privado, com ênfase nas iniciativas pedagógicas e com propostas mais experimentais em termos de curadoria, convertendo Porto Alegre em um dos centros da produção, reflexão e divulgação da arte latino-americana da atualidade. A 7ª Bienal buscou seguir a proposta, tendo como desafio suceder a elogiada 6ª Bienal, a terceira margem do rio, que contou com presença de peso de Jorge Machi, William Kentridge, Waltércio Caldas, Dario Robleto, Francis Alÿs, dentre outros.
O projeto envolve os artistas na própria concepção da Bienal: considerados como atores sociais e constantes produtores de sentido crítico, os artistas serão responsáveis por conceituar formatos de exibição, o projeto pedagógico e as políticas editoriais do evento.
Lúcia, Stop-motion, vídeo animação. Niles Atallah, Cristóbal León e Joaquín Cociña
Programa Educativo da 7a Edição da Bienal do Mercosul.jpg)
Tapume, 2009, Henrique Oliveira
Microfonico I e II , 2009, Chelpa Ferro
Top 15 Bienal do Mercosul pelo DNB
1 - Linda Matalon – Garland
2 - Jerome Bel e Isabel Torres - Veronique Doisneau
3 - Chelpa Ferro – Microfônico I e II
4 - Henri Michaux
6 - Tomás Espina - Alcaebza ed surgenda
7 - Henrique Oliveira – Tapume
8 - Fabio Kacero
9 - Niles Atallah, Cristóbal León e Joaquín Cociña - Lucia y Luis
10 - José Antônio Suárez
11- Paulo Brusky
12- Samuel Becket – Breath
13 - Milton Machado
14 - Mário Peixoto





































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