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sábado, 24 de julho de 2010

problemas da cidade

Brasília recebeu o fórum [4o Fórum de Museus], mas anda mal das pernas para o Ibram. Com o Museu de Arte de Brasília (MAB) fechado e os museus do Índio e Memória Candanga em situação aquém de suas capacidades, resta o Museu da República. Para José do Nascimento Júnior, diretor do Ibram, a situação da capital é temerária. “Recebi o pedido para um evento de arquitetura de museu feito pela Secretaria de Cultura. Com o MAB fechado, o Museu do Índio na situação que está e os demais museus ligados à secretaria tudo em situação precária, eles pedem pela lei Rouanet R$ 800 mil para fazer uma evento de arquitetura internacional de museus em Brasília. É um contrasenso. Se há condição de captar R$ 800 mil para um evento que vai durar uma semana, esses mesmos R$ 800 mil abririam pelo menos o MAB e o Museu do Índio em outras condições”, diz Nascimento. “Isso em uma cidade que precisa se estruturar para receber a Copa do Mundo. Vamos ver o que esse seminário de arquitetura vai discutir em Brasília com os museus fechados.”

[Trecho da reportagem de Nahima Maciel, Publicada no Correio Braziliense de 16/07/2010]

segunda-feira, 7 de junho de 2010

PetitiON!

Nos dias 25, 26 e 27 de maio participei de um curso oferecido pela Secretaria de Cultura do DF: Capacitação em Museologia, Museu Memória e Cidadania. O curso "em si" mereceria um relato bem distinto, que farei em outro momento.
O que me chamou mais atenção durante a acalorada fala (terapia de grupo ou choradeira em boa parte do tempo) dos participantes foi uma senhora realmente engajada em fazer a diferença com os poucos recursos que tinha. Aliás, ela não gosta de ser chamada de senhora... Elza Caetana, moradora de Brazlândia nos trouxe um problema bem comum em território brasileiro: a desapropriação de um espaço cultural público sem maiores justificativas à população que utiliza tal espaço. No caso se trata do Museu Histórico e Artístico de Brazlândia, anteriormente situado em local turístico, na orla do Lago Veredinha ou Espelho D'Água.


Então durante o curso ela solicitou nossa colaboração em um abaixo assinado para a devolução do prédio em questão ao Museu H. e A. de Brazlândia, e depois se fosse possível que também houvesse sua publicação e rotatividade na internet. Comovida pela situação e querendo fazer também a diferença inspirada por ela, me ofereci para ajudar e criei uma petição on-line que está no ar desde a semana passada. O link da petição é:

http://www.ipetitions.com/petition/museumemoriaecidadania/

Divulguem! =)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Arquipélagos Brasilienses

Não há novidade nenhuma no artigo de Luís Augusto Fischer publicado no jornal Zero Hora algumas semanas atrás... bem sabemos os rótulos que são insistentemente impostos a cidade (um dos vários preços pagos por sua proximidade nefasta com o poder público) e já faz parte dos modos locais saber se esquivar deles com certa simpatia e bom humor.

Eu sou brasiliense, e hoje em dia muitas pessoas podem dizer o mesmo. Nascidos e criados aqui, sabemos que Brasília é muita coisa:

Brasília é pipa na torre de teve, é bolha de sabão no parque da cidade, em momentos de tédio pode ser vinho na esplanada, ou, para uma outra geração, pode ser papear em frente ao Pátio. Brasília são as luzes do conjunto nacional, são as tesourinhas. Brasília é carro, muitos carros e nenhum estacionamento. De vez em quando, se está de bom humor e particularmente civilizada, Brasília é ciclista e faixa de pedestre. Brasília é Escola Parque, é Escola Classe, UnB, ipê. É 508 sul, é Beirute e burocracia. Certamente é Lucio Costa e Niemeyer, mas, para mim, é mais Vladmir Carvalho, Cassiano Nunes e Nicolas Behr. É Bianchetti e Babinski, é Dulcina de Morais e Hugo Rodas. É pomba na igrejinha, é jardim de Burlemax, é brincar-embaixo-do-bloco. É pixação na W3, é o estardalhaço das cigarras e caminhada no eixão aos domingos. Brasília é milho na Água-mineral e pastel na Viçosa. É skate no setor comercial sul, é rock /gospel no Conic. É concurso público no fim de semana, é política, é escandâlo, é poder... mas é também coruja-buraqueira, terra vermelha e festival de cinema. Brasília é Honestino Guimarães, é movimento estudantil, é candango empoeirado e juventude entediada, transporte público ineficiente e especulação imobiliária. Brasília é Feira do Guará, Feira dos Importados, é feira da Ceilândia e praça do relógio. Brasília é entre-quadra, é ecatombe moderna, é caminhos-do-desejo. Brasília é o fosso das ariranhas, é ponte JK e açougue-biblioteca. Brasília foi sonho, profecia, loucura, avião e cruz. Brasília é cerrado, índio gaudino, lancha e iate.

Brasília é capital, é deserto, é parque, e, definitivamente, é uma cidade.


Segue artigo do Zero Hora no dia 09 de janeiro de 2010... a versão completa está disponível aqui.


Brasília, aquela ilha distante

Ano passado houve quantos escândalos em Brasília? Assim sem fazer força eu lembro de dois, o do Sarney e seus atos secretos na presidência do Senado (e a penca de afilhados e parentes pendurados em folhas de pagamento oficiais) e o do governador Arruda, que não se perca pelo nome, ele e o seu pessoal todo flagrados com grana viva nas mãos, nas meias, na bolsa daquela senhora, com o suplemento que foi um requinte da hipocrisia geral na oração pós-propina. Nem vou lembrar os aumentos indecentes, as falcatruas de negociação, mais uma quantidade incontável de pequenas e médias negociatas políticas, que dariam vergonha, se o Brasil tivesse vergonha a ostentar.

Brasília, a cidade-palco disso tudo, completa seu jubileu de ouro, o primeiro: tirada da cartola de um presidente mineiro, Juscelino Kubitschek, inscrita no mapa da realidade por milhares de candangos – quem lembra o veículo chamado “candango”, um jipezinho nacional de nome alusivo aos trabalhadores? – a partir de desenho de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, a capital brasileira é, na minha irrelevante opinião, uma demência. Não vai nada de pessoal contra os brasilienses, figuras tão sublimes e tão ridículas quanto os nascidos em Novo Hamburgo, por exemplo; o que aqui vai é uma opinião contra a cidade: Brasília não faz sentido, exceto para os milhares de funcionários que ganham muito, demais, e para os políticos que se escondem lá, longe da opinião pública ativa que só existe em cidade de verdade (se é que continua a existir...).

E Brasília não é uma cidade de verdade; é uma paisagem, um cenário, uma simulação. O senhor já andou por lá? Eu vi logo pelo jeito como o senhor concordou comigo, logo que eu comecei a falar. Cidade real tem esquina e telhado de cor vermelha; Brasília não tem nem uma coisa, nem a outra. A dinâmica de qualquer cidade, atravessar ruas, pegar condução, saudar os transeuntes, olhar os que passam, ir para o trabalho, ser assaltado, tudo isso em Brasília tem um quê de falsidade, a começar pelo já famoso aspecto de delírio totalitário que se esconde no traçado portentoso e na concepção megalomaníaca, tudo com aspecto monumental, que deixa o pobrerio fora.

Historinha exemplar: uma cidade periférica de Brasília se chama Ceilândia (tecnicamente é uma “região administrativa”, não uma cidade). De onde veio o nome? Naquela região do país, o que nós chamamos de favela lá era chamado de “invasão”, porque se tratava de pobre invadindo espaço sem ocupação, perto da cidade-capital que, afinal, tem os empregos. Pois bem: no começo dos anos 1970, as invasões, isto é, os bairros de pobres, chegaram a uma proporção alarmante, considerando o planejamento original – delirante e excludente desde o início, mas enfim planejamento. Daí instituíram – claro, estamos no Brasil – uma comissão para tratar do tema: a comissão para erradicação das invasões, com a sigla CEI. Daí para Ceilândia foi um passo. De forma que Ceilândia é uma vela acesa para a burocracia.

E custa demais para o Brasil. Quando se pegam os números de PIB per capita, Brasília desponta como a cidade de maior índice entre todas as cidades brasileiras. Sim, mas é uma renda que vem, quase exclusivamente, de emprego público pago regiamente. Não tem geração de riqueza propriamente dita. O senhor já calculou, mesmo por cima, o que custam as máquinas do Senado, da Câmara e dos tribunais superiores? Nem queira saber, nem queira saber.

Então a minha saudação ao cinquentenário de Brasília é esta: uma lamentação por sua existência, pelo seu peso nefasto que o Brasil é obrigado a carregar. Por mim, podia ser transformada em museu a céu aberto, e era isso. Eu sei, eu sei, transferir aquela burocracia toda de lá para uma cidade real seria inviável hoje. Mas eu não me conformo.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

sempre mais do mesmo...





Aos que querem acompanhar a situação do MAB...

Nada foi noticiado na mídia local sobre o MAB desde a saída de Bené Fonteles, que gerou uma matéria bastante extensa no correio braziliense. Pois bem, a matéria dizia que uma comissão havia sido formada para decidir os rumos da instituição. A conclusão da comissão foi pela manutenção do acervo no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República . Também foi sugerida a aquisição de mobiliário adequado a manutenção das obras e futura fusão das duas instituições. A princípio o desejo é de que a nova instituição tenha duas sedes, mantendo-se assim o tradicional prédio do MAB além do monumento da explanada. Como a reforma até agora não tem previsão de início, esse pode ser um sonho longínquo e improvavel. O fato é que a equipe do MAB está atualmente atuando junto ao acervo em pareceria com a equipe do Museu Nacional.
De todo modo, manteremos nossa enquete, dando a todos a possibilidade de se manifestar, muito embora, aparentemente, as decisões já tenham sido tomadas ou estejam se encaminhando para um desfecho previsível.


Nada se sabe sob a gestão da nova instituição, mas é provável que uma política de aquisição de obras siga as diretrizes originais do MAB (seria uma opção coerente ao menos) , ou seja, priorizar a produção atual de artes.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Apoio ao MAB (um desabafo)




“(...) quero fazer uma comissão para ver se é melhor mesmo fazer o MAB ou pegar o acervo e jogar no Museu Nacional”.Silvério Gorgulho, Secretário de Cultura. CB, 10/12/2009


Não posso me furtar de escrever algumas linhas em favor do MAB – Museu de Arte de Brasília - frente a demissão de Bené Fonteles e as colocações de nosso atual Secretário de Cultura. Como Brasiliense, como cidadão, como artista, não gostaria de ver o acervo do MAB “jogado” aonde quer que seja! A já repetitiva solução de doar (ou alojar definitivamente) o acervo do MAB no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, em minha opinião, é um retrocesso; não apenas condena o MAB a inexistência, substituindo um espaço pelo outro, como também nos furta do saudável exercício de estabelecer um recorte curatorial adequado as potencialidades do Museu Nacional, e construir uma coerente estratégia de aquisição de um acervo próprio.

Hoje o abandonado, MAB é um marco do descaso do atual Governo (e dos anteriores) para com os museus e instituições culturais da cidade bem como em relação a cultura como um todo. Ás portas dos 50 anos da cidade, ele resiste, só, a uma hedionda expansão comercial e imobiliária, como um entrave a interesses escusos e uma marca nostálgica do que a cultura em Brasília já representou e poderá um dia voltar a representar.

Não me convencem os argumentos de que o prédio é inadequado para abrigar um museu, uma vez que a grande maioria dos espaços de Brasília foram adaptados para tornarem-se museus e não criados com esse intuito (e os que foram, atendem apenas secundariamente a algumas das necessidades primordiais para essa função).

Com isso sou a favor da manutenção do MAB com seu importantíssimo acervo, que constituí parte da história recente da arte no Brasil e em Brasília, bem como da realização das obras e reformulação necessárias para a adequar sua estrutura a criteriosa conservação das obras.

No aniversário de Brasília, no ano internacional da integração entre museu e turismo, que nosso governo reveja suas prioridades e preserve um pedaço desta história que é nossa.